Mudei de emprego pra um lugar mais proximo para economizar no combustivel. Foi quando o governo conseguiu reduzir o preco da gasolina para incentivar a venda dos carros grandes. O que foi uma percepcao um tanto tardia de um processo que comecava a virar uma enorme bola de neve.
Com o aumento da gasolina, muita coisa mudou. E a queda repentina do preco nos postos nao foi o suficiente pra impedir a crise que veio como um 'taifu', levando inclusive os telhados de alguns cidadaos, tanto brasileiros quanto japoneses.
Os grandes fabricantes de carros como a Toyota comecaram a anunciar cortes nas despesas. Quando nao havia mais onde cortar, a unica solucao foi cortar funcionarios. Muitas das grandes empresas comecaram cortando os funcionarios terceirizados. Os funcionarios das empreiteiras que nao possuem ligacao direta com as fabricas. Muitos sao brasileiros, mas em meio a estes existem os nativos tbm. A imprensa comecou entao a cobrir exaustivamente os sem-teto. Que nao se ve nas cidades pequenas, e sim nas cidades grandes, onde ha mais concentracao de fabricas obviamente.
Em parte, sentiamos que tudo isso era um grande exagero dos noticiarios, ate que a crise comecou a nos atingir. Fui uma das primeiras a sentir a brisa do que viria a se tornar um vendaval. Os que trabalham parte do tempo sao os menos vinculados ao empregador, e os primeiros a serem dispensados. `A principio anunciaram uma queda repentina de servico no ultimo mes do ano de 2008. Sendo que ate o penultimo mes tinha sido estavel, a ponto de duvidarmos sequer que existia tal coisa chamada crise. O cancelamento do pedido de ultima hora foi uma decisao da empresa que distribuia os pedidos. So havia necessidade de terceirizacao enquanto se podia contar com o mercado exterior, razao pela qual se usava da ajuda das fabricas de pequeno porte como uma forma de de dar conta desse mercado. Mas uma vez que a crise estava atingindo principalmente os EUA, anunciaram que para evitar que a empresa principal que fornecia servico `as pequenas nao ficasse sem servico e para que nao precisasse despedir seus proprios funcionarios, teria que ela mesma ficar com os pedidos que nos enviava.
A consequencia do cancelamento dos pedidos foi anunciar uma semana de ferias forcadas para alguns funcionarios em sistema de rodizio que constituia no seguinte: dentro de um grupo de 20, apenas duas pessoas eram dispensadas nos dias mais folgados, para que as outros pudessem trabalhar. Nao era justo e logicamente significava que aquilo era so o comeco do estava por vir. Uma vez que dispensar somente duas pessoas e chamar isso de "revezamento" era o mesmo que indiretamente testar a paciencia destas duas pessoas e esperar que essas duas pessoas fossem naturalmente procurar outro servico. O que em parte funcionou. Mas o quadro so tendia a piorar e diante do crescente agravamento da situacao de falta de servico, o inevitavel era a empreiteira ser cortada primeiro. E isso tambem aconteceu. Mas antes disso, os que ficaram ate o fim, apesar das indiretas, ainda foram convocados a ficar em casa varios dias antes de receberem a corda no pescoco.
Por sorte a empreiteira forneceu uma ajuda adicional pelos ultimos 15 dias em que nao haveria como receber porque a empregadora nao tinha mais como manter seus funcionarios por mais 15 dias. O aviso previo eh, por lei, de um mes. Mas a fabrica quando eh pequena e esta no vermelho, quando lida com estrangeiros raramente cumpre com esse dever.
Tudo isso ilustrou em cores que a crise era real e que a televisao nao estava inventando nada sobre a provavel onda de demissoes em massa de funcionarios das empreiteiras de todo o pais. A Honda seguiu o exemplo da Toyota e mais pessoas foram cortadas, muitas recorreram `as agencias de turismo quando tinham a possibilidade de retornar ao seu pais, mas muitas nao possuem essa opcao.
A solucao esta sendo recorrer a outros setores de trabalho. Os brasileiros estao sendo postos a prova, se sua comodidade de anos nao for vencida esse sera um tipo de peneiramento em que os que conseguirem se adaptar ao mercado de trabalho alternativo for a das fabricas automobilisticas sobreviverao.
Os que nao falarem a lingua nem souberem exercer nenhuma outra atividade a nao ser a de operario, terao suas vidas problematizadas daqui pra frente tambem.
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