Thursday, June 4, 2009

Meu e-book favorito

Eh otimo ler, mas o preco dos livros e o pouco tempo disponivel das pessoas forca muitos a aderir aos e-books. Quando morava em Sampa frequentava os sebos que se achava de esquina em esquina na liberdade. Ou ia nas bibliotecas publicas e passava as tardes la. Agora, como nao tenho esse recurso, aderi `a net que possui uma boa biblioteca online. Eu por exemplo, gosto de literatura estrangeira. Entao muitas vezes quando nao encontro os titulos em portugues, leio em ingles mesmo. Se bem que leva mais tempo pra terminar o livro dependendo da linguagem do escritor. Ultimamente li um dos meus preferidos, 'Wuthering Heights', ou "O morro dos ventos uivantes" em portugues, da Emily Bronte. Pelo que vi na net, esse romance eh um dos mais lidos pelos ingleses numa pesquisa de e-books mais baixados por eles em alguns sites. Eh um bom drama de epoca no estilo bem ingles, mas do genero psicologico, a historia de amor dois personagens atormentados por seus erros e por seus orgulhos.

O livro conta a saga da familia Earnshaw, e a do menino orfao que eh introduzido bruscamente pelo pai entre eles num belo dia. A filha Cathy e o menino ficam logo amigos. O menino misterioso que nao tem sua origem revelada eh chamado de Heathcliff pelo pai. So que o irmao mais velho de Cathy, Hindley, que despreza o irmao adotado, passa a maltrata-lo depois da morte do pai quando se torna senhor das terras, forcando Heathcliff a trabalhar como servical na estribaria. Mesmo depois de crescidos, Cathy e Heathcliff vivem sempre juntos alegres e sujos longe das vistas de Hindley. Mas, Cathy quando atinge a idade de se casar, escolhe o filho rico da familia Linton por sua posicao social, porque ela 'degradaria sua imagem casando-se com Heathcliff' (lembre-se que naquela epoca, os casamentos eram feitos entre familias conhecidas e abastadas). Ao escutar isso, Heathcliff foge sem ouvir a parte que Cathy diz `a governanta Ellen que em seu coracao ela era como Heathcliff e estava se casando com Linton por conveniencia. Mas Heathcliff desaparece e so reaparece depois de anos, rico, bem apessoado e doido por vinganca contra todos, incluindo Cathy!

Gosto tanto da tragedia desta historia que assisti tres dos muitos filmes que fizeram sobre o livro. Nenhum deles consegue ser inteiramente fiel ao livro claro, porque a historia para ser toda filmada precisaria ter 4 horas ou mais se fosse mostrar todos os detalhes e acompanhar as duas geracoes da familia que vivia no morro dos ventos uivantes.

Talvez a versao mais famosa seja a de 1939, a que ganhou Oscar de melhor filme. Nesta versao preta e branca, Heathcliff eh eficientemente interpretado por Laurence Olivier. Mas o Heathcliff dele nao eh totalmente amargo como o Heathcliff do livro, que eh mais duro e vingativo. E o final foi encurtado talvez para os padroes de duracao de um filme da epoca. E tbm porque o livro fala muito de assuntos como fantasmas e coisas sobrenaturais (Heathcliff eh constantemente referido como o 'demonio', por sua falta de humanidade no livro) e isso nao aparece nesta versao de filme, terminando sem mostrar a saga da filha de Catherine e todo o resto da historia a partir disto. Vale a pena ver pela atriz que faz a Catherine tambem que eh bem fiel `a personagem do livro.


A versao de 1992 embora tambem nao seja fiel ao livro eh a minha favorita, nao pelo filme em si que nao supera a versao de 39 em termos de producao, mas pelo Heathcliff do Ralph Fiennes eh o que ficou mais proximo do carater do Heathcliff da literatura, apesar de que fisicamente o Heathcliff tem pele morena no livro e Fiennes nao.
Dizem que o diretor Steven Spielberg contratou Ralph Fiennes para sua Lista de Schindler (outro filme que gosto) por ter visto o ator no papel de Heathcliff neste filme. Catherine eh interpretada por Juliette Binoche que apesar de ser uma boa triz nao ficou tao marcante no papel.


Outra versao mais recente foi feita em 1998, mas essa eh meramente uma filmagem literal episodio por episodio dos capitulos do livro, sem nada acrescentar `as versoes anteriores. Sem interpretacoes que eu diria marcantes. Com excecao da atriz que faz a governanta Ellen que aparece com mais frequencia conforme esta no livro.

Saturday, April 25, 2009

Australia


Pra variar vou comentar um filme que vi ontem que estava querendo ver faz tempo: Australia. O filme eh mais produzido e mais longo do que eu imaginava... No comeco nao sabia qual era a historia, e no geral ate que foi um bom divertimento. Mas posso dizer com certeza que nao eh o melhor filme que eu ja vi. Recomendo para quem se interessa em questoes humanistas e esta procurando um filme facil de assistir. E gosta de romances `a moda antiga.

A fotografia eh o ponto mais forte acho, porque o cenario de fundo todo eh a regiao desertica da Australia. As montanhas por si so ja valem a pena. E a principal cena de acao se passa justamente nessa parte Oeste do deserto da Australia. Alem disso, o aspecto da vida rude na regiao e a integracao dos aborigenes com a natureza fica bastante evidente.
Mas, apesar dos temas nacionais serem abordados com poesia, a historia dos personagens principais em si nao eh muito interessante na maneira como se desenrola sendo insistentemente previsivel de cena pra cena. Lembra muito os romances antigos, mais ainda quando centra os acontecimentos em meio `a guerra mundial. Os bandidos da historia alias sao os japoneses, rs.
A unica parte engracada eh o inicio, quando a madame inglesa chega na terra dos machoes, com poeira e cangurus pra todo lado, tendo que lidar com aborigenes, peoes e bois do marido numa cidade pequena e machista.

Tirando o tema de disputa de terra e disputa por mercado entre dois criadores de gado na regiao arida, o assunto que predomina eh a cultura aborigene, focando na questao que aconteceu de verdade no passado do pais, quando os brancos usavam os aborigenes como servicais, e o governo retirava as criancas de seus familiares nativos com a desculpa de que estava protegendo-as nas missoes (quando o racismo era uma das principais razoes) e nao se admitia miscegenacao. Essas criancas foram chamadas 'geracoes roubadas'. Eram assim consideradas por terem sido removidas da cultura aborigene para viver na maioria das vezes marginalizadas pelos brancos na sociedade sem completamente se adequarem.

Muitos que viram e me indicaram esse filme gostaram muito. Eu gostei por mostrar o lado indigena com respeito e so. Isso se deve pelo diretor Baz Luhrman ser australiano. Este diretor que dirigiu tambem Moulin Rouge e Romeu e Julieta, no entanto, eh famoso por possuir um estilo glamoroso e fazer mais musicais. E essas influencias aparecem inevitavelmente em Australia quando a personagem de Nicole Kidman canta a cancao tema do Magico de Oz para o pequeno nativo orfao.

O filme de Luhrman pretende o tempo todo ser um epico, e inicialmente tem o atrativo dos atores principais Nicole Kidman (uma das estrelas mais bem pagas atualmente) e Hugh Jackman (que ficou no lugar do Russel Crowe e foi eleito o homem mais sexy de 2008 pela revista 'People') tambem pelo tema dos aborigenes, pela fotografia, mas tem cliches demais para os termos de hoje. Se vc ja assistiu classicos antigos como "E o vento levou...", nao vai sentir que Australia ultrapassou ou chegou ao nivel de um desses classicos.

Para comecar, a mocinha da historia eh uma aristocrata inglesa fina que acaba tendo que viver no meio de australianos rudes e obviamente eh cheia de 'nao me toques'; O marido da madame morre, e o tocador de gado esta logo ali ao lado pra ajudar a madame; os dois se apaixonam; o beijo acontece depois de uma bebedeira; a crianca aborigene fica orfa, e a madame esta logo ali para virar mae adotiva; os viloes sao sempre viloes e culpados por todos os mal feitos da historia; o casal principal quer ficar junto mas sao separados pela guerra; as criancas se metem em encrenca ou estao sempre em apuros precisando que os mocinhos os salve no exato momento oportuno; todos que pareciam estar mortos depois de serem bombardeados por avioes japoneses, estao na verdade vivos; e o final eh feliz para todos, exceto para os indigenas, bebados, pobres e para os viloes... Enfim, eu sou daquelas que pensa que um bom filme tambem precisa ser feito de umas boas surpresas de vez em quando.
E concordo plenamente com uma opiniao que ouvi: Mesmo sendo um filme epico super produzido, perdeu a inspiracao no meio do caminho.

Tuesday, March 24, 2009

Redacao eh um terror para muitos!

Vou confessar que nao gostava de fazer redacao na escola. Pior do que escrever sobre um tema dado que geralmente nao me interessava, era escrever na classe com tempo ou data estabelecida pra entrega... Nao saia coisa boa. E quando saiam algumas linhas, eram sempre insuficientes, confusas e dificilmente eu tirava notas boas nas dissertacoes. Nao me lembro de ter tirado notas maravilhosas nesse quesito nem mesmo no colegial, apesar de ter precisado fazer redacao para passar no vestibulinho da escola em questao.

O que me fez tomar consciencia de que eu precisava treinar redacao, foi certa vez, quando a minha professora de portugues do colegial pediu para fazermos producao de texto livre. Alguns alunos ainda foram solicitados a ler em voz alta suas magnificas criacoes. Lembro que eu nao me voluntariei porque nao produzi nada magnifico, mas um dos meus colegas de classe que era bom, teve seu texto lido por outro colega. A redacao dele falava de um homem que se olhava no espelho e descobria quem ele era (interiormente) de uma maneira muito poetica e singular. Todos admiraram imensamente o talento especial de escritor dele e sua obra, mas acho que poucos devem ter percebido de onde foi tirada a inspiracao inicial, ou se perceberam, nao comentaram. O tema era emprestado da letra de uma musica antiga do grupo alemao tambem antigo, precursor da musica eletronica, chamado Kraftwerk.
Mesmo que fosse uma referencia `a musica, o texto tinha seu merito. Nao era um simples plagio na sua totalidade, porque o texto conseguia desenvolver bem a ideia principal da letra sem ser meramente uma transcricao traduzida. Ate o final era surpreendentemente bom, e aparentemente foi criacao do aluno.
Eu, por acaso, tinha em casa o disco de vinil deste grupo alemao, razao pela qual reconheci do que se tratava o texto do nosso colega. Nao comentei nada para a turma porque, na epoca, nao percebi a impressao que isso tinha causado em mim. Mas, de certo, foi uma luz no fim do tunel. Fui absorvendo inconscientemente a ideia de que era possivel escrever redacoes que nao fossem apenas racionais e logicas, preocupadas em informar ou seguir as regras gramaticais. Para mim que nao gostava de redacao, escrever sobre um tema de musica ou sobre alguma poesia, era mais interessante. E realmente, no comeco so funcionou atraves desse caminho, traduzindo livremente letras, pois musica ja fazia parte do meu mundo desde antes. Transcrevia livros com minhas proprias palavras, escrevia sobre coisas diversas, o que eu pensava. No fim, pude arriscar-me no campo da poesia e finalmente terminei escrevendo um caderno inteiro cheio de escritos que culminaram num blog que nao existe mais, mas que poderia muito bem dar num livro de tanto material que havia nele. Nada mal para quem nao gostava de escrever redacao. E teria que prestar vestibular cedo ou tarde.

A Fuvest eh famosa por exigir nivel bom de redacao dos vestibulandos. Nao prestei fuvest, mas prestei outros vestibulares. E a redacao me ajudou muito!
Nesse ano, aconteceram coisas curiosas como o estudante que esqueceu de por titulo e acabou escrevendo no final da redacao sobre o esquecimento, mas nao foi prejudicado por causa disso. Veja a materia e as melhores redacoes: http://vestibular.uol.com.br/ultnot/2009/03/24/ult798u24718.jhtm.

Ve-se que as melhores redacoes sao bem claras, articuladas e organizadas numa estrutura bem coerente. Fora isso, os estudantes mostram que possuem conhecimento de historia, geografia, e mostram que tambem sabem interrelacionar as ideias de maneira inteligente.
No cursinho que fiz nao me lembro de ter tido um professor que nos ensinou exatamente a formula para criar uma redacao, mas tive por sorte um professor de historia da arte na faculdade que tambem tinha sido professor de redacao. Ele nos deu varias dicas para criar uma estrutura logica infalivel que pode ser usada nos vestibulares, mas que tambem deve ser usada principalmente por quem vai escrever teses e coisas de nivel superior ao de faculdade.

Um texto bom de redacao pode conter, basicamente, apenas tres paragrafos. O primeiro paragrafo introduz uma ideia, a tese principal. O segundo paragrafo apresenta uma antitese. E o terceiro paragrafo contem a conclusao a que se chega, amarrando as ideias apresentadas.
Cada frase inicial de cada paragrafo deve ser confirmada pelas seguintes. Ate que se desenvolva a ideia principal ou ate que se relacione outras ideias que comprovem, enfatizem, expliquem, referindo-se sempre `a afirmacao ou ideia inicial. A ultima frase eh exemplificativa para mostrar de forma objetiva do que se esta falando.
E assim procede-se nos proximos paragrafos, na antitese, e na conclusao. A anti-tese, como o proprio nome ja diz, eh a contradicao da tese.
Deve-se construir cada frase da maneira mais clara possivel. E ponto. Sem redundancia. Essa eh em teoria a formula, mas nao significa que eh facil segui-la `a risca. Por isso eh que os corretores de redacoes sempre dizem que eh preciso treino constante. Treinar eh preciso, concordo. Melhor mesmo eh faze-lo por gosto escrevendo sobre coisas que se tem interesse, e nao por simples obrigacao.
A ironia disso tudo eh que perdi a aversao por escrever, mas nao tinha a tecnica. So aprendi a construir esse tipo de estrutura de redacao mais logica depois que cursei faculdade, quando eu nao precisava mais fazer redacoes...

Sunday, March 15, 2009

Filme Dragon Ball frustra fans japoneses

Dia 14 de marco de todos os anos eh o dia do Valentines japones em que as mulheres que deram alguma coisa aos homens no dia 14 de fevereiro recebem algo em troca dos respectivos homens. Neste ano, dispensei o chocolate que eh o que normalmente se ganha e escolhi tomar um bom sorvete em pleno inverno e aproveitar pra ir ao cinema com o meu marido.

Mesmo sendo meu dia de receber mimos, fomos ver o que ele queria. Afinal era ele quem ia bancar mesmo. Por isso nao me incomodei de ir ver o filme "Dragon Ball Evolution" mesmo que outros filmes que eu queria ver mais estivessem em cartaz no mesmo cinema. Como por exemplo, o "Curioso caso de Benjamin Burton", que eu nao consegui ver ainda.

Fomos sem pesquisar nada sobre o filme de acao, sabia apenas que o diretor do filme, James Wong, nao eh um estranho na area, pois quem ja assistiu "The X-Files", e era, ou eh fan da serie como eu, com certeza ja viu nos creditos de alguns episodios os nomes de James Wong sempre em parceria com Glen Morgan, ambos escritores e produtores do Arquivo-X, que colaboraram muito com Chris Carter, o criador da serie, que pelo visto virou uma das melhores da tv no genero ficcao, drama e conspiracao que ja se fez por ai.

Mas como eu ia dizendo, apesar da pouca espectativa que eu estava com relacao ao novo filme de Wong, a esperanca era a de que pelo menos eu fosse me divertir vendo um Goku de carne e osso, ja que o ator tem a fisionomia bem parecida, mesmo que nao houvesse novidade no enredo, ja seria razoavel. Isso se realmente fosse ser fiel `a serie Dragon ball. Mas a espectativa fugiu logo de cara na segunda cena, bem no comeco do filme... Goku ja esta adolescente e nao tem dominio de seus poderes, mora ainda com o velho vovo e frequenta a escola da cidade indo de bicicleta, e pra cair mais no cliche, eh assediado pelos maus elementos do pedaco! A sensacao que me deu foi que seria inutil esperar que a historia fosse ter alguma coisa a ver com o manga de Toriyama. E realmente nao teve muito a ver.

Quem assistiu desde o comeco o Dragon Ball, sabe que a aventura toda comeca com o Goku pequeno. E sabe que ate metade da serie Goku nao se torna adolescente. E quando isso acontece, ele ja esta plenamente sob controle de suas habilidades pois vive evoluindo sem parar, claro.
Claro tambem que temos que compreender as limitacoes tecnicas de um filme com atores de carne e osso quando se trata de uma adaptacao de anime. Mas poderiam ter nos poupado de ver um Goku adolescente vivendo as aventuras do Goku pequenino da serie em filme. Fora isso, quiseram contar a saga em que Goku vence Piccolo, que foi seu primeiro grande inimigo, em 2 horas. O resultado foi uma historia atropelada, bem conflitante com a saga original, sem o senso de humor que eh um dos maiores atrativos do manga.
Os outros personagens surgem sem surpresa nenhuma e nao cativam o publico. Suas personalidades mal se desenvolvem ou se aproximam aos do anime. Com excessao talvez do velho Kame que entre todos eh uma personificacao ate interessante que Chow Yun-Fat (ator chines) fez do mestre de artes marciais de Goku que o ensina o famoso Kame-hame-ha. Apesar da coreografia do golpe estar mais pra Tai chi chuan.

Bem, quem nao viu o anime nem leu o manga, nao devera se sentir tao frustrado quanto os fans. E achara o filme ate bem feito em termos de acao e efeitos especiais. Mas Wong realmente deveria ter respeitado mais os fans de Goku. Nao assisti o filme com o som em ingles, e creio que seria tao frustrante quanto foi dublado em japones uma vez que pude reparar que nem os dubladores do anime original emprestaram suas vozes para melhorar as chances aqui. Talvez porque nao eh mesmo um filme digno para isso.
Nao me interpretem mal, sou fan do Goku tambem, mas o do manga e no caso do anime, apenas se for falado no original. Alias para falar a verdade, se vc aprendeu japones vendo animes, como eh em parte o meu caso gracas ao meu marido fanatico por Dragon Ball, tera que concordar que o personagem Vegita eh muito mais engracado! Sem querer desmerecer o Goku, mas foi sorte do Vegita nao ter aparecido no Evolution... Alias fico imaginando que ator se sairia bem fazendo esse personagem.

So para constar aqui, ficamos decepcionados por ter saido de casa e voltado sem a sensacao de maravilhamento que o cinema sempre deve nos causar. Obvio que meu dia de Valentines nao foi perdido por causa disso, mas poderia ter sido melhor se eu tivesse arrastado meu marido `a forca pra sala do Benjamin Burton.

Thursday, March 12, 2009

Milionario Azarao!

Assisti finalmente o filme 'Slumdog Millionaire' - 'Quem quer ser um milionario?' - o grande vencedor de 2009. E foi alem das minhas espectativas, mas nao entendo a comocao que criou. O filme sobre indianos nao eh indiano, e sim uma producao inglesa, dirigido por um ingles, tem de nome de programa ingles e retrata criancas de rua de uma forma ate polemica, mostrando a exploracao delas por gangs de bandidos. Este tipo de assunto nao deve aparecer comumente nos filmes indianos de Bollywwood creio, mas lembra muito o filme brasileiro "Cidade de Deus", que tem como assunto principal as criancas de favela, o crime, e nao foi tao premiado assim como o milinario de rua, talvez pelo filme brasileiro ser visceral demais (o que nao eh necessariamente um defeito quando se trata de favela brasileira).
O que parece agradar a academia, no entanto, nao eh a cinematografia visceral, e sim a realidade romantizada. Pois no fim de tudo eh um grande romance fantasioso, disfarcado sob a forma de filme realista sobre garotos pobres.
Com um ritmo e caracteristicas ocidentais, nao explica nem se aprofunda muito nas questoes sociais nem religiosas indianas, como na cena da morte da mae de Jamal. Nao explica tambem como o menino Jamal aprendeu ingles, o suficiente para conseguir falar fluentemente a lingua e ate aparecer no show milionario respondendo as perguntas em ingles perfeito. Mas quem liga para esses detalhes? O importante foi que a academia adorou a historia que em grande parte eh contada em ingles, e so pelo fato do filme ter recebido tamanha premiacao, fara com que muitos voltem suas atencoes para as producoes de Bollywood que vem expandindo cada vez mais. Em "Quem quer ser um milionario?", a parte em que todos aparecem dancando em ritmo de contagiante musica indiana faz uma homenagem a estas producoes indianas pois eh comum conterem trechos musicais, quando nao sao completamente musicais.

O filme foi baseado num livro indiano, chamado Q & A, mas nao segue `a risca o enredo da historia original, a nao ser o fato do menino sortudo conseguir responder todas as perguntas e ser o milionario. Fora isso, o filme pode ser considerado ate bem divergente do livro em varios aspectos. O livro foi bem recebido pela critica, ja o filme ganhou mais estatuetas do que merecia. Isso pode ser uma prova de super-protecao ao purismo e uma certa ansia da academia por querer mostrar que premia sim os filmes ou atores estrangeiros e reconhece que se faz cinema fora de Hollywood...

O purismo a que me refiro esta na idealizacao. O modo como os ocidentais do primeiro mundo veem o Oriente ou os paises de terceiro mundo. Parece que ficam encantados ou simpatizam com a poesia que ha na miseria alheia, com a poetica da desgraca humana, que tem seu apice quando recai sobre criancas orfas. Especialmente se estes sao pobres, sem futuro e com o coracao partido por um amor distante, mas terminam milionarios e felizes para sempre. Pois ve-se que a pobreza neste caso nao eh mostrada com intencao de discutir a questao social. Eh um fator essencial para enfatizar o grau de cultura e o carater do personagem. E para que entendamos que o mesmo ambiente pode formar individuos diferentes mesmo que tenham sido expostos `as mesmas experiencias traumaticas. Tudo isso para mostrar que a sorte e o destino (que esta escrito) esta do lado daquele que segue o caminho do coracao.
Sob meu ponto de vista, eh preferivel retratar uma realidade social, politica, ate sentimental de um personagem com profundidade do que mostrar uma realidade impressionante num filme apenas com intencao de chocar. Mas se a intencao eh entreter sem aprofundar, nao ha reclamacoes. Talvez nao haja necessidade de aprofundar nada mesmo para ganhar um Oscar... basta o resultado no conjunto ser convincente, com uma historia num ritmo bom do comeco ao fim, para nao dar tempo de pensar. Nisso, o 'milionario' nao frustra.
O grande trunfo do filme eh a trilha sonora e os atores mirins que sao bons. Mas nao digo que o filme merecia 8 Oscars, pois de todos os concorrentes, o filme de Gus Van Sant, "Milk", merecia mais reconhecimento por tratar do assunto do homossexualismo sem estereotipos e sem futilidades. E por ser uma questao que mexe um pouco ainda (se nao muito) com o conservadorismo americano. Deveriam nos interessar muito mais os assuntos politicos e sociais, as pequenas producoes, as producoes alternativas do que os filmes comerciais, ou os favoritos da maioria, que vemos mais por curiosidade, porque o dito esta em primeiro lugar no ranking dos mais vistos, ou porque venceu oito Oscars. Mas afinal quem esta interessado em filmes engajados em causa gay? Melhor escolher um assunto menos incomodo, de preferencia que seja o mais exotico e romantico possivel, que seja num outro continente e que tenha final feliz... Desculpe se vc ainda nao viu, tivesse visto antes de ler esse artigo. Ninguem precisa concordar com o que eu digo.

Friday, March 6, 2009

Os subterraneos da festa do Oscar 2009

Nao pude assistir a festa do Oscar 2009, mas pelo que vi na net e pelos comentarios e criticas que li, nao perdi muita coisa. O filme indiano "Quem quer ser um Milionario?" ganhou em quase todas as categorias. Pelo menos, Sean Penn ganhou sua segunda estatueta como melhor ator pelo papel de Harvey Milk, em "Milk", e discursou que "sei que frequentemente torno dificil para todos gostarem de mim", comentario que se deve ao fato de Penn expor suas opinioes politicas na tv, causando desafeicoes para sua pessoa, o que obviamente nao prejudica seu desempenho profissional, visto que nao eh um premio devido ao gosto pessoal, e sim devido ao talento.
No mesmo discurso Sean Penn agradeceu Gus Van Sant (o diretor do filme) que estava na plateia, e defendeu o filme comentando que se sentia feliz por viver num pais que permite o casamento entre homossexuais, frisando que todos devem possuir direitos iguais. Essa foi, alias, a conquista maior do verdadeiro Harvey Milk, logo depois do que, foi assassinado pelo proprio ex-companheiro de politica que rivalizava com ele.
Apesar disso tudo, li em algum lugar nas noticias recentemente que o narrador brasileiro que dubla a voz de Sean Penn nao quis fazer a dublagem de 'Milk', por ser um papel gay... O diretor de "Milk" que eh abertamente gay, e ja retratou as questoes homossexuais em varios de seus filmes, mostrou em "My own private Idaho", a historia de garotos de programa, no qual Keanu Reeves e o falecido River Phoenix atuaram. Gus Van Sant ficou mais famoso por "Good Will Hunting" pelo qual ganhou Oscar de melhor diretor, com o roteiro tambem ganhador do Oscar, escrito por Matt Damon e Ben Affleck, contava com o proprio Damon no papel de Will contracenando com Robin Willians que por sua vez ganhou Oscar de melhor ator coadjuvante. Mas esse filme nao abordava a questao gay, obviamente.

A parte comica/tragica do show

Outro acontecimento que me chamou a atencao foi quando o Ben Stiller apareceu ao lado de Natalie Portman para fazer uma das indicacoes do Oscar e o humorista estava vestido de terno e gravata com peruca, barba e oculos escuros sob risos de todos presentes. Isso em si ja foi uma performance meio duvidosa e sem graca. Mas, como nao acompanho as noticias americanas frequentemente, nao entendi na hora quem ele estava imitando (por um momento pareceu o Jim Morrison) mas vendo na net depois ficou esclarecido que era uma personificacao do ator Joaquim Phoenix para estarrecimento meu!

A satira que Ben Stiller fez de Joaquim Phoenix no Oscar, foi inspirada no episodio que ocorreu em fevereiro passado, em que Phoenix compareceu no programa do famoso entrevistador de tv americano David Letterman, o "Late Show with David Letterman", que eh o equivalente do Jo Soares brasileiro. Um Joaquim Phoenix com a barba mais crescida e com a cabeleira mais desgrenhada do que Jim Morrison, de oculos escuros e como se nao bastasse isso, mascando chicletes, sentou-se na cadeira de entrevistados. Ficou mudo a todas as perguntas sobre o filme que ele deveria promover. Confirmou so sua intencao de parar com a carreira no cinema e sua conviccao de perseguir a carreira de Rapper.

Letterman diante da mudez de Phoenix, nao pode conter o sarcasmo e os risos dominaram a plateia. Fez varias perguntas constrangedoras tais como: "Voce nao tinha essa aparencia assim antes pelo que me lembro" - "Voce esta se sentindo confortavel com essa barba?" - "Bem, foi uma pena que voce nao pode estar presente aqui hoje".


Quem assistiu o filme "Gladiador" deve se lembrar do ator Joaquim Phoenix atuando como o imperador romano. Phoenix que foi premiado pelo papel de Johnny Cash, em "Walk the line", esta abandonando a carreira de ator para virar um cantor de rap ou hip-hop, estilo basicamente negro de musica... Em outras palavras, estilo que nenhum branco consegue satisfatoriamente fazer melhor do que os negros, ou ao menos suficientemante bem para nao ser ridicularizado. No minimo, posso dizer que os que se aventuraram so conseguiram agradar as tietes do sexo feminino como o tal do Ice-cube...
Descobri por acaso tambem que numa das cenas do ultimo filme que Joaquim fez, um romance chamado 'Two lovers', o personagem faz uma improvisacao de rap. O ator foi incentivado a dar uma de rapper pelo diretor para filmar uma cena em que ele tentava seduzir a moca. Esse parece ter sido o comeco de toda a loucura, o que ele deve ter gostado muito de fazer. Pois ao fim do filme ja anunciou sua decisao que este seria sua ultima aparicao nas telas. Logo em seguida, foi todo relaxado na pre-estreia do filme para horror da midia como na foto acima, de barba e oculos escuros.

Na estreia do filme "Che Guevara" (que pretendo assistir assim que sair) Phoenix fez tambem uma aparicao todo barbado, desgrenhado e de oculos escuros. Em varias fotos, ele posou pras cameras ao lado do amigo e diretor de "Two lovers" com os punhos cerrados e as inscricoes visiveis nos dedos: 'bye' e 'good'. Que suponho querer dizer 'goodbye'. Mas pelo jeito ele estava tao doido que trocou as palavras e escreveu na ordem errada...
A midia, entao, sem querer dar muito credito ao assunto, especulou que era um jogo de marketing, para promocao do documentario que ele esta fazendo junto com o cunhado e ator Casey Affleck baseada na propria figura de Phoenix. O que aumentou mais a especulacao de que a atitude dele era uma farsa. Mas independente de ser farsa ou nao, so um otimo ator pra fingir tao seriamente assim uma virada como essas em sua vida. Mesmo para fins publicitarios, nao eh vantagem acabar com uma carreira tao promissora como o dele se passando por drogado.

So posso concluir que este homem pirou ou esta usando drogas. O que eh dificil de acreditar pois seu irmao River e seu melhor amigo morreram de overdose por uso de drogas (o ultimo foi homenageado neste Oscar postumamente pelo papel de vilao no filme Batman).
Joaquim teve problemas com alcool no passado, e um acidente de carro recentemente. Imagina-se que seu estado mental nao eh dos melhores. Quanto ao que dizem nos tabloides que ele estaria armando uma farsa juntamente com Casey pra chamar atencao nao acredito. O boato eh de que estava abandonando o cinema para se promover como cantor depois que foi reconhecido no papel musical de Johnny Cash. O que todos reconheceram que foi um bom trabalho de Phoenix no qual canta e toca guitarra, instrumento que aprendeu por si proprio especialmente para o papel. Mas isto so o fez parecer muito com o irmao River que tocava e cantava tambem. Com quem ele nunca se igualara em fama, diga-se de passagem. E de ator pra cantor fica mais dificil do que o contrario.

Enfim, a festa do Oscar fez piada sobre algo que acredito ser um caso grave de doenca mental (por ter sido vegan por anos isso pode ter afetado o cerebro dele) ou eh uma forcada tentativa de agir insensatamente para que nao procurem mais ele no cinema, porque eh so isso o que ele vai conseguir. Especialmente porque as ultimas noticias afirmam que nao eh uma farsa e ele realmente deu um show de rap fracassado no qual provou sua mediocridade musical e terminou com sua imagem de vez caindo do palco no chao na frente de todos os presentes...

Para ver o video da entrevista clique no titulo do post.

Wednesday, March 4, 2009

Buda, O mito e a realidade


Terminei de ler o livro Buda, o mito e a realidade de Herodoto Barbeiro em dois dias apenas. Eh uma boa reflexao sobre os mitos que foram criados sobre o budismo sob a visao de um ocidental. Mas o Herodoto eh tambem um praticante do budismo, por isso a visao dele eh ocidental mas a de um ocidental que conhece bem, tanto a teoria quanto a pratica desta doutrina, e que tem algo a ensinar. Ele esteve logo ali no bairro da Liberdade, procurando pelo centro de estudos budista. Tambem frequentou o templo Zulai que fica em Cotia - Sao Paulo. Deste templo ouvi falar por um amigo do Rio de Janeiro que eh um praticante de artes marciais. Ele me disse, certa vez, que o templo do Zulai eh um lugar que transmite paz e tem um lindo jardim japones.

Apesar de nao aprofundar em nada o que eu ja sabia sobre o que prega o budismo tradicional em sua doutrina, esclareceu certos mitos, que pelo que percebi, ainda tinha enraizados em minha mente sobre o budismo. Fica facil perceber que quem conhece um pouco mais por ter lido alguma coisa, eh que mais se confunde. Porque acaba misturando coisas sobre o Zen, sobre o budismo tibetano no meio, e tudo isso eh totalmente indiferente que se saiba, se o basico nao for esclarecido.

Vejo que apesar de ja ter lido coisas ate bem avancadas dentro do assunto, como os livros do Dalai Lama por exemplo, nao tinha percebido por exemplo, que o budismo pregado por Buda era puramente racional e nao baseado tanto na fe. Nao tinha notado que o budismo nao possui uma cosmologia, e se possui, nao interessa tanto que a saibamos, desde que se faca na pratica o que se estuda na teoria. O exemplo dado no livro foi o da morte. De que adianta saber sobre a metafisica da morte, sobre o que acontece depois ou antes dela, se eh durante a vida que se pratica o aperfeicoamento? Para Buda confabulacoes metafisicas eram uma perda de tempo.
Colocar a teoria na pratica eh o mais importante, para que o individuo atinja seu objetivo que eh o nirvana, que nao se atinge depois da morte.

Nao tinha parado para pensar tambem que o budismo nao exige que haja um intermediario entre Deus e as pessoas comuns. Pela simples razao de que nao ha necessidade, pois se o objetivo eh se tornar um Buda por si so, para cessar o ciclo vicioso de reencarnacoes pessoal, entao nao eh preciso a intervencao de nenhum intermediario, porque somente a propria pessoa eh que pode fazer isso. Mas que fique bem claro que os monges nao sao por isso desnecessarios. Eles servem como exemplo a se seguir, segundo Herodoto.

Alem de esclarecida, fiquei satisfeita de ver que no final do livro esta indicada uma bibliografia basica para quem se interessar em ler mais e quiser se aprofundar sobre o budismo.