Tuesday, October 6, 2009
"Minha patria eh a lingua portuguesa "
Quem disse isso foi Fernando Pessoa. Mas conforme ele, outros sentiram e sentem exatamente o mesmo... Alguns sentiram tanto que sairam repetindo com outras palavras a ideia original do autor. Como Caetano quando resolveu parafrasear o poeta portugues dizendo: "A lingua eh minha patria".
Eu tambem ja tinha lido alguma coisa parecida nas palavras de algum outro poeta. E se eu fosse parafrasear a parafrase de Caetano, ficaria algo como: "habito nao um pais, mas uma lingua". Mesmo assim teria a impressao que alguem tambem ja usou estas palavras antes de mim...
Seja la o que for, uma sensacao nao precisa ser exclusiva de um so individuo. E a verdade eh que ideias similares surgem para varias pessoas de maneira que nao se sabe quem copiou quem. No meu caso e no de Caetano fomos claramente inspirados por Pessoa. Este nasceu em Portugal mas escreveu poesias em ingles quando viveu fora de Portugal, portanto ninguem melhor do que ele para entender como so estando fora do contexto do dia a dia do pais em que se nasceu, no estrangeiro, para perceber que a unica coisa que nos faz sentir estrangeiros eh a lingua. De maneira resumida eh o que se pode dizer. Com a diferenca que Pessoa nao estava apenas sendo conciso, estava sendo poetico.
A primeira e mais obvia barreira que se cria no contato com os nativos de um lugar estranho eh nao entender o que nos dizem, e nao ser entendido. Nos faz sentir como uma ilha isolada. E porque nao dizer desolada, de tao deslocados. Isso eh compreensivel acho que para qualquer um mesmo que nao tenha saido nunca do pais que mora.
Mais compreensivel eh quando o individuo literalmente mora no mundo das ideias e das palavras.
E habita literalmente em sua literatura. Pois a lingua acaba sendo o meio ambiente natural, que permite ao escritor ou ao poeta ser escritor ou poeta, e permite a eles descrever "as paisagens interiores" como F. Pessoa chama o estado de espirito. Poderia ate aprofundar isso dizendo que apenas a lingua natal permite ao individuo ser quem ele eh sem cerimonias. O que alguem podera refutar dizendo que o individuo nao deixa de ser ele mesmo quando posto num contexto diferente. Nao posso afirmar isso com certeza, mas tenho pra mim que ninguem deixara de ser quem eh desde que tenha como patria sua lingua.
Eu tambem ja tinha lido alguma coisa parecida nas palavras de algum outro poeta. E se eu fosse parafrasear a parafrase de Caetano, ficaria algo como: "habito nao um pais, mas uma lingua". Mesmo assim teria a impressao que alguem tambem ja usou estas palavras antes de mim...
Seja la o que for, uma sensacao nao precisa ser exclusiva de um so individuo. E a verdade eh que ideias similares surgem para varias pessoas de maneira que nao se sabe quem copiou quem. No meu caso e no de Caetano fomos claramente inspirados por Pessoa. Este nasceu em Portugal mas escreveu poesias em ingles quando viveu fora de Portugal, portanto ninguem melhor do que ele para entender como so estando fora do contexto do dia a dia do pais em que se nasceu, no estrangeiro, para perceber que a unica coisa que nos faz sentir estrangeiros eh a lingua. De maneira resumida eh o que se pode dizer. Com a diferenca que Pessoa nao estava apenas sendo conciso, estava sendo poetico.
A primeira e mais obvia barreira que se cria no contato com os nativos de um lugar estranho eh nao entender o que nos dizem, e nao ser entendido. Nos faz sentir como uma ilha isolada. E porque nao dizer desolada, de tao deslocados. Isso eh compreensivel acho que para qualquer um mesmo que nao tenha saido nunca do pais que mora.
Mais compreensivel eh quando o individuo literalmente mora no mundo das ideias e das palavras.
E habita literalmente em sua literatura. Pois a lingua acaba sendo o meio ambiente natural, que permite ao escritor ou ao poeta ser escritor ou poeta, e permite a eles descrever "as paisagens interiores" como F. Pessoa chama o estado de espirito. Poderia ate aprofundar isso dizendo que apenas a lingua natal permite ao individuo ser quem ele eh sem cerimonias. O que alguem podera refutar dizendo que o individuo nao deixa de ser ele mesmo quando posto num contexto diferente. Nao posso afirmar isso com certeza, mas tenho pra mim que ninguem deixara de ser quem eh desde que tenha como patria sua lingua.
Friday, September 25, 2009
Jane Eyre
Eu ja havia dito que meu e-book favorito eh o Morro dos Ventos Uivantes de Emily Bronte. Entao, tendo gostado tanto deste livro, escrito no seculo XIX, procurei outro e-book de outra autora desta mesma epoca, e encontrei uma que era por sinal a irma de Emily, Charlote Bronte.
Da mesma maneira como eh impossivel nao fazer comparacoes entre duas irmas, o primeiro pensamento que vem eh comparar as obras delas tambem depois que se le. E o morro dos ventos uivantes nao tem nada em comum com Jane Eyre, tirando-se alguns elementos presentes em ambas as historias que sao comuns pois se passam na Inglaterra, e eram afinal do mesmo periodo. A paisagem rural e remota dos moors (as terras altas), os elementos de misterio, sobrenaturais que assombram os personagens; no caso do morro sao os fantasmas do passado, e em Jane Eyre eh a figura sombria da mulher louca que vive presa no sotao da casa de seu empregador, de resto, eh praticamente bem diferente o estilo de narrativa das duas autoras. E obviamente as historias tambem, apesar das duas relatarem as vidas de familias vivendo em lugares isolados nas montanhas da Inglaterra.
Os personagens de Charlote sao de nivel e classe mais alta, portanto eles sao mais polidos e contidos em suas emocoes, e usam muito figuras de expressao para denotar o estado tanto emocional em que se encontram como para demonstrar sua acuidade intelectual. Enquanto que os de Emily ja sao mais emotivos e diretos, nao tao intelectuais com excecao de Linton.
O morro eh uma historia sobre vinganca mais no estilo drama psicologico narrada sob o ponto de vista de outros enquantos Jane eh a narradora de sua propria historia.
Pelas personagens femininas destes livros pode-se sentir que as mulheres eram oprimidas pelas questoes morais, pelas questoes de classe social, de nivel de estudos, de tradicao familiar, e o mais obvio eh a desigualdade com os homens, numa relacao de subserviencia quando nao de inferioridade. O ponto comum nas protagonistas destas historias eh que sao mulheres ao mesmo tempo voluntariosas e fragilizadas pelas circunstancias.
Jane Eyre eh uma orfa que passa por varias dificuldades ate se tornar uma governanta na casa de anfitrioes ricos ainda jovem. Ela eh criada quando pequena por uma tia que a castiga constantemente, vivendo com os primos em pe de desigualdade com eles, desprezada como um mero estorvo para os parentes.
Jane eh mandada para uma escola com bases no ensino religioso rigido, somente para meninas e passa por uns maus bocados por la tambem ate se adaptar, mas nao perde o espirito rebelde e predeterminado que tinha, pelo contrario, fica mais obstinada a ser bem sucedida nos estudos.
Se educa com o objetivo de poder ensinar e ser livre para viver por conta propria, mas quando sai da escola vai trabalhar para uma familia abastada e se ve sob o controle do misterioso dono da casa. Por ela gostar dele e por ele ser o chefe dela. Mas eh interessante notar que a autora passa atraves de Jane um idealismo feminista, quando esta luta contra seus proprios sentimentos mas nao se submete aos homens completamente nem tem como objetivo de vida somente casamento e filhos como era de costume naqueles dias.
Ao longo da historia Jane se ve sob o dominio de varias figuras controladoras: A Tia, o primo, o reitor da escola, o chefe, o clerigo, Mas no final, ela escolhe o caminho que lhe convem melhor, que nao a afasta de seus principios mostrando que possui uma vontade mais forte.
Claro que se quiser o fim da historia teras que ler ou ver o filme! rs
Da mesma maneira como eh impossivel nao fazer comparacoes entre duas irmas, o primeiro pensamento que vem eh comparar as obras delas tambem depois que se le. E o morro dos ventos uivantes nao tem nada em comum com Jane Eyre, tirando-se alguns elementos presentes em ambas as historias que sao comuns pois se passam na Inglaterra, e eram afinal do mesmo periodo. A paisagem rural e remota dos moors (as terras altas), os elementos de misterio, sobrenaturais que assombram os personagens; no caso do morro sao os fantasmas do passado, e em Jane Eyre eh a figura sombria da mulher louca que vive presa no sotao da casa de seu empregador, de resto, eh praticamente bem diferente o estilo de narrativa das duas autoras. E obviamente as historias tambem, apesar das duas relatarem as vidas de familias vivendo em lugares isolados nas montanhas da Inglaterra.
Os personagens de Charlote sao de nivel e classe mais alta, portanto eles sao mais polidos e contidos em suas emocoes, e usam muito figuras de expressao para denotar o estado tanto emocional em que se encontram como para demonstrar sua acuidade intelectual. Enquanto que os de Emily ja sao mais emotivos e diretos, nao tao intelectuais com excecao de Linton.
O morro eh uma historia sobre vinganca mais no estilo drama psicologico narrada sob o ponto de vista de outros enquantos Jane eh a narradora de sua propria historia.
Pelas personagens femininas destes livros pode-se sentir que as mulheres eram oprimidas pelas questoes morais, pelas questoes de classe social, de nivel de estudos, de tradicao familiar, e o mais obvio eh a desigualdade com os homens, numa relacao de subserviencia quando nao de inferioridade. O ponto comum nas protagonistas destas historias eh que sao mulheres ao mesmo tempo voluntariosas e fragilizadas pelas circunstancias.
Jane Eyre eh uma orfa que passa por varias dificuldades ate se tornar uma governanta na casa de anfitrioes ricos ainda jovem. Ela eh criada quando pequena por uma tia que a castiga constantemente, vivendo com os primos em pe de desigualdade com eles, desprezada como um mero estorvo para os parentes.
Jane eh mandada para uma escola com bases no ensino religioso rigido, somente para meninas e passa por uns maus bocados por la tambem ate se adaptar, mas nao perde o espirito rebelde e predeterminado que tinha, pelo contrario, fica mais obstinada a ser bem sucedida nos estudos.
Se educa com o objetivo de poder ensinar e ser livre para viver por conta propria, mas quando sai da escola vai trabalhar para uma familia abastada e se ve sob o controle do misterioso dono da casa. Por ela gostar dele e por ele ser o chefe dela. Mas eh interessante notar que a autora passa atraves de Jane um idealismo feminista, quando esta luta contra seus proprios sentimentos mas nao se submete aos homens completamente nem tem como objetivo de vida somente casamento e filhos como era de costume naqueles dias.
Ao longo da historia Jane se ve sob o dominio de varias figuras controladoras: A Tia, o primo, o reitor da escola, o chefe, o clerigo, Mas no final, ela escolhe o caminho que lhe convem melhor, que nao a afasta de seus principios mostrando que possui uma vontade mais forte.
Claro que se quiser o fim da historia teras que ler ou ver o filme! rs
Tuesday, August 11, 2009
Verao, furacoes, terremotos e atitude zen!
Quando estava morando em Sampa, nao ligava se era inverno ou verao, dia nublado ou de chuva, porque Sao Paulo tem tudo isso em um so dia... rs. Mas estando numa terra cujo calor so dura 3 meses, cheguei `a conclusao que nao gosto do verao, eu adoro o verao! Poder sair de casa e lavar as coisas fora no quintal, onde tudo seca imediatamente. Nao, nao eh so isso: Poder sair de casa! Isso ja eh uma maravilha, porque no inverno nem vontade de sair tem-se. Mas nao se da valor nessas coisas minimas num lugar que nao tem inverno rigoroso. Nao ha comparacao do Brasil com o inverno infinitamente longo que temos aqui no Japao, especialmente onde estou que eh montanhoso. Talvez com excecao da Siberia, do polo Artico, do Alaska...(to brincando)
Mas o verao japones tbm nao eh so flores porque eh exageradamente quente, alias nem as flores aguentam, e junto com o verao vem taifus(furacoes)... Que maravilha, eles vem assim, como que combinados um seguido do outro. E com o passar dos anos repetem-se certos padroes, ate que passamos a achar "tudo normal". Tem que ser muito zen pra achar taifu, terremoto normal...
Agosto e setembro sao os meses dos taifus, acabou de passar um que trouxe muitas chuvas e mal tempo por todo o continente. Eh 'comum' vir do Sul e ir subindo pro Norte. Okinawa eh uma regiao que frequentemente eh atingida por ficar no extremo sul do pais. Ou entao a regiao costeira perto ao mar. Eh tao 'normal' ter ventos fortes que pros japoneses nao eh mais alarmente, mas nao pros brasileiros que se assustam ate com um relampago! (Aqui eh raro ter relampagos) rs
Ontem houve um terremoto logo de manha cedo, meu marido que tinha perdido a hora, pois nao ouviu o relogio despertar, despertou no pulo! Foi um terremoto fraco, mas do tipo que faz as coisas deslizarem de um lado pro outro. Muito melhor se comparado com o tipo de tremor que faz as coisas trepidarem. So que quando chego no trabalho depois de um terremoto, as japonesas sempre me perguntam se eu senti alguma coisa, como se nao fosse nada perto do que esta pra vir. O Grande Terremoto de Tokai. Que eh previsto acontecer a qualquer hora. Muitos daqui me perguntam se ha dessas coisas no Brasil e quando digo que nao frequentemente nem nestas escalas, ficam sem resposta, imaginando "que pais bom", e curiosos como sao... uma pergunta meio que deve ficar na cabeca deles: "Porque vc esta aqui entao?". Ja prevendo isso e pra nao ter que ficar pensando numa resposta longa e complicada digo algo bobo do tipo: "La eh quente demais!" Ai eles dizem: "Ah nao, calor eh pior" (pior que terremoto?) rs. Uma resposta boba em resposta a outra resposta boba?!
Como prever onde ocorrera um terremoto?
Os sismologistas japoneses conseguem mais ou menos ter uma ideia pelo estudo dos movimentos das placas tectonicas e da composicao geologica onde se encontram as cidades. A tecnologia daqui eh de grande ajuda para entender e prevenir desastres, mas infelizmente nao eh capaz de prever lugar e hora precisamente a ponto de possibilitar que as pessoas peguem um aviao pro Brasil, rs. E imagine o desespero que seria... O panico se torna maior que o proprio terremoto!
Tokyo por exemplo se encontra sobre um territorio arenoso e facilmente "abalavel" se houver um maremoto ou terremoto grande por ali. Ja eh sabido que a megalopole pode sofrer estragos grandes a qualquer hora porque se situa perto do mar.
Agora mesmo com as chuvas, estao havendo muitas enchentes e gente ficando sem teto.
Entao, desastres nao sao novidade por essas bandas nem pelo mundo afora. Aqui tambem nao eh o pais mais assolado pelas calamidades (eh um deles). Pois apesar da crise dos empregos, ainda eh um pais de primeiro mundo.
E vamos curtir o Verao, a Vida, que eh curta mesmo, porque os japoneses, brasileiros dekasseguis trabalham demais, que nem vem o tempo la fora, nem sentem que passaram-se 10 anos de sua vida, trabalhando em escritorio ou em fabrica... O negocio eh nao ter neuras pensando em terremotos, o negocio nao eh fugir do pais, o negocio eh fazer as pazes com si mesmo antes que se deseje ter feito coisas mais significativas para o mundo ou para a humanidade, ou simplesmente algo pela familia.
Divirto-me como posso, acho que o fato de estar colocando essas ideias em posts ja me alivia um pouco do meu dever de conscientizacao, apesar da frequencia de visitas aqui estar a zero, rs. Sairei daqui da frente do computador e vou entao aproveitar o bom tempo, pra tomar um ice-cream e uma agua gelada! Agua essa que esta jorrando do ceu ultimamente...
Mas o verao japones tbm nao eh so flores porque eh exageradamente quente, alias nem as flores aguentam, e junto com o verao vem taifus(furacoes)... Que maravilha, eles vem assim, como que combinados um seguido do outro. E com o passar dos anos repetem-se certos padroes, ate que passamos a achar "tudo normal". Tem que ser muito zen pra achar taifu, terremoto normal...
Agosto e setembro sao os meses dos taifus, acabou de passar um que trouxe muitas chuvas e mal tempo por todo o continente. Eh 'comum' vir do Sul e ir subindo pro Norte. Okinawa eh uma regiao que frequentemente eh atingida por ficar no extremo sul do pais. Ou entao a regiao costeira perto ao mar. Eh tao 'normal' ter ventos fortes que pros japoneses nao eh mais alarmente, mas nao pros brasileiros que se assustam ate com um relampago! (Aqui eh raro ter relampagos) rs
Ontem houve um terremoto logo de manha cedo, meu marido que tinha perdido a hora, pois nao ouviu o relogio despertar, despertou no pulo! Foi um terremoto fraco, mas do tipo que faz as coisas deslizarem de um lado pro outro. Muito melhor se comparado com o tipo de tremor que faz as coisas trepidarem. So que quando chego no trabalho depois de um terremoto, as japonesas sempre me perguntam se eu senti alguma coisa, como se nao fosse nada perto do que esta pra vir. O Grande Terremoto de Tokai. Que eh previsto acontecer a qualquer hora. Muitos daqui me perguntam se ha dessas coisas no Brasil e quando digo que nao frequentemente nem nestas escalas, ficam sem resposta, imaginando "que pais bom", e curiosos como sao... uma pergunta meio que deve ficar na cabeca deles: "Porque vc esta aqui entao?". Ja prevendo isso e pra nao ter que ficar pensando numa resposta longa e complicada digo algo bobo do tipo: "La eh quente demais!" Ai eles dizem: "Ah nao, calor eh pior" (pior que terremoto?) rs. Uma resposta boba em resposta a outra resposta boba?!
Como prever onde ocorrera um terremoto?
Os sismologistas japoneses conseguem mais ou menos ter uma ideia pelo estudo dos movimentos das placas tectonicas e da composicao geologica onde se encontram as cidades. A tecnologia daqui eh de grande ajuda para entender e prevenir desastres, mas infelizmente nao eh capaz de prever lugar e hora precisamente a ponto de possibilitar que as pessoas peguem um aviao pro Brasil, rs. E imagine o desespero que seria... O panico se torna maior que o proprio terremoto!
Tokyo por exemplo se encontra sobre um territorio arenoso e facilmente "abalavel" se houver um maremoto ou terremoto grande por ali. Ja eh sabido que a megalopole pode sofrer estragos grandes a qualquer hora porque se situa perto do mar.
Agora mesmo com as chuvas, estao havendo muitas enchentes e gente ficando sem teto.
Entao, desastres nao sao novidade por essas bandas nem pelo mundo afora. Aqui tambem nao eh o pais mais assolado pelas calamidades (eh um deles). Pois apesar da crise dos empregos, ainda eh um pais de primeiro mundo.
E vamos curtir o Verao, a Vida, que eh curta mesmo, porque os japoneses, brasileiros dekasseguis trabalham demais, que nem vem o tempo la fora, nem sentem que passaram-se 10 anos de sua vida, trabalhando em escritorio ou em fabrica... O negocio eh nao ter neuras pensando em terremotos, o negocio nao eh fugir do pais, o negocio eh fazer as pazes com si mesmo antes que se deseje ter feito coisas mais significativas para o mundo ou para a humanidade, ou simplesmente algo pela familia.
Divirto-me como posso, acho que o fato de estar colocando essas ideias em posts ja me alivia um pouco do meu dever de conscientizacao, apesar da frequencia de visitas aqui estar a zero, rs. Sairei daqui da frente do computador e vou entao aproveitar o bom tempo, pra tomar um ice-cream e uma agua gelada! Agua essa que esta jorrando do ceu ultimamente...
Friday, August 7, 2009
Diretor brasileiro fazendo sucesso internacionalmente!
Estava percorrendo a lista de filmes que eu tenho para serem vistos e um dos que eu estava para ver faz tempo era o "Jardineiro fiel" ou "The constant gardener" se preferir no original. Como prefiro sempre no original, tive certos problemas com o som que estava meio baixo mas mesmo assim a historia nao perdeu o atrativo.
A maior supresa para mim foi descobrir nos creditos finais que o filme eh dirigido por Fernando Meirelles, o diretor de "A cidade de Deus". A surpresa foi grande porque o filme eh estrelado por atores ingleses, se passa em varios paises tanto da Europa quanto na Africa e eh falado em ingles na maior parte do tempo. O filme eh baseado num livro que conta a historia de um casal e de uma conspiracao envolvendo uma serie de complicadas conexoes entre laboratorios farmaceuticos, experimentando remedios em doentes "descartaveis" na Africa sem propriamente anunciar isso.
O filme, na verdade, eh sobre a mulher do diplomata, e o trabalho humanitario dela que acaba virando uma investigacao perigosa. O que acaba tirando sua vida e consequentemente se tornando o objetivo do marido ate o fim da historia.
As criticas do publico sobre o filme sao boas no geral, e eu tambem pude sentir um pouco de orgulho sabendo que um brasileiro esteve por detras das cameras.
O que as mas criticas apontaram foi que esse filme nao foi bem filmado, mas a verdade eh que ha muitas cenas de acao conturbadas (afinal isto eh a Africa) e Fernando parece que escolheu filmar sem gruas para dar um efeito proposital de confusao nas cenas de perseguicao o que foi criticado. Disseram tambem que tem closes apelativos demais, que nao conscientiza o publico sobre a verdadeira realidade na Africa, que todos sabemos sao criticas. Mas tenho que defender o filme porque ele se propoe a contar uma historia e se encarrega disso. Pois se o tema eh conspiracao farmaceutica, obviamente que nao faz sentido falar de outros assuntos sociais que nao sejam de interesse para a historia, apesar de ser bem evidente durante o decorrer da trama que a pobreza, a fome, a corrupcao da policia, a politica interna, sao coisas com que se convive mesmo que nao se esteja procurando por isso. E eh obvio que livros polemicos nunca vendem bem num pais que nao quer admitir sua propria situacao!
As atuacoes de Ralph Fiennes e Rachel Weisz sao ambas convincentes, a atriz recebeu varias premiacoes em diversos paises e tenho que concordar que este papel sendo bom ficou melhor com ela, apesar das especulacoes serem que Kate Winslet e ate Nicole Kidman eram as candidatas ao papel.
Enfim, este filme eh para quem se interessa por questoes humanitarias e historia de amor e drama.
A maior supresa para mim foi descobrir nos creditos finais que o filme eh dirigido por Fernando Meirelles, o diretor de "A cidade de Deus". A surpresa foi grande porque o filme eh estrelado por atores ingleses, se passa em varios paises tanto da Europa quanto na Africa e eh falado em ingles na maior parte do tempo. O filme eh baseado num livro que conta a historia de um casal e de uma conspiracao envolvendo uma serie de complicadas conexoes entre laboratorios farmaceuticos, experimentando remedios em doentes "descartaveis" na Africa sem propriamente anunciar isso.
O filme, na verdade, eh sobre a mulher do diplomata, e o trabalho humanitario dela que acaba virando uma investigacao perigosa. O que acaba tirando sua vida e consequentemente se tornando o objetivo do marido ate o fim da historia.
As criticas do publico sobre o filme sao boas no geral, e eu tambem pude sentir um pouco de orgulho sabendo que um brasileiro esteve por detras das cameras.
O que as mas criticas apontaram foi que esse filme nao foi bem filmado, mas a verdade eh que ha muitas cenas de acao conturbadas (afinal isto eh a Africa) e Fernando parece que escolheu filmar sem gruas para dar um efeito proposital de confusao nas cenas de perseguicao o que foi criticado. Disseram tambem que tem closes apelativos demais, que nao conscientiza o publico sobre a verdadeira realidade na Africa, que todos sabemos sao criticas. Mas tenho que defender o filme porque ele se propoe a contar uma historia e se encarrega disso. Pois se o tema eh conspiracao farmaceutica, obviamente que nao faz sentido falar de outros assuntos sociais que nao sejam de interesse para a historia, apesar de ser bem evidente durante o decorrer da trama que a pobreza, a fome, a corrupcao da policia, a politica interna, sao coisas com que se convive mesmo que nao se esteja procurando por isso. E eh obvio que livros polemicos nunca vendem bem num pais que nao quer admitir sua propria situacao!
As atuacoes de Ralph Fiennes e Rachel Weisz sao ambas convincentes, a atriz recebeu varias premiacoes em diversos paises e tenho que concordar que este papel sendo bom ficou melhor com ela, apesar das especulacoes serem que Kate Winslet e ate Nicole Kidman eram as candidatas ao papel.
Enfim, este filme eh para quem se interessa por questoes humanitarias e historia de amor e drama.
Monday, July 6, 2009
Pra quem gosta do genero drama
Para aqueles que gostam de dramas do tipo que eh preciso ver com a caixa de lencos do lado, recomendo dois filmes: "House of D" e "The reader". Nao sei os titulos em portugues, mas o primeiro eh dirigido pelo David Duckovny (o Mulder do Arquivo X) estrelado por ele mesmo, com as participacoes da esposa dele, do Robin Williams, da cantora Erykah Badu, que da uma canja no filme. O segundo filme foi indicado ao Oscar, mas so ganhou na categoria de melhor atriz para Kate Winslet, que mereceu o premio.
'House of D' de Duchovny eh um filme muito dele, em todos aspectos: escrito, dirigido, atuado, editado por ele. Trata-se da historia de um desenhista que mora em Paris (Duchovny) que decide contar um segredo de infancia para sua familia no dia do aniversario de 13 anos do filho. O segredo na verdade eh um fato que ocorreu quando Tom tambem tinha 13 anos de idade, e que o obrigou a virar adulto.
Para nao estragar o divertimento de quem le, so adianto que a historia eh bem contada, com boas interpretacoes, gosto da trilha sonora. Eh um filme que se pode ver com a familia e eh um divertimento assistir Robin Willians sendo engracado e dramatico ao mesmo tempo.
Eh certo que nao se pode esperar muito em termos de cinematografia porque eh o primeira experiencia de Duchovny como diretor fora das telas da tv (ele dirigiu alguns episodios do Arquivo). So que como eu disse, a historia eh boa. O tema deste filme eh a amizade do personagem principal com o seu melhor amigo mentalmente infantil e as consequencias que acarretam por causa desta amizade. No decorrer da historia, o menino tambem desenvolve uma relacao de amizade com uma das detentas da Casa de detencao que da nome ao filme que eh de grande ajuda para ele nas horas de decisao.
Outras questoes serias tambem sao abordadas, mas nao sao discutidas a fundo, como a eutanasia.
'The reader', ja eh um filme mais adulto. No sentido duplo mesmo. Ha a questao do relacionamento entre uma mulher adulta e um adolescente, e a questao das cenas de nudez.
Vale a pena ver pela atuacao dos atores e pelo drama que se cria quando esse relacionamento obviamente impossivel nao da certo, nao so porque torna os personagens infelizes, mas porque acaba fazendo com que a vida de uma das personagens tome um rumo completamente imprevisto e insano. Isso tudo faz discutir ate que ponto existe uma moral por detras do atos de uma pessoa ou apenas orgulho. Faz pensar em outras questoes tambem, se existe uma moral mesmo, ou se eh algo imposto pela sociedade ou pelas proprias pessoas. Se nao seria a natureza humana destruidora. Por ignorancia e por medo de nao serem aceitas.
Melhor vc assistir e tirar sua propria conclusao.
Eu assisti e me fez pensar em tudo isso, sinal que valeu pra alguma coisa, que nao so chorar, rs.
'House of D' de Duchovny eh um filme muito dele, em todos aspectos: escrito, dirigido, atuado, editado por ele. Trata-se da historia de um desenhista que mora em Paris (Duchovny) que decide contar um segredo de infancia para sua familia no dia do aniversario de 13 anos do filho. O segredo na verdade eh um fato que ocorreu quando Tom tambem tinha 13 anos de idade, e que o obrigou a virar adulto.
Para nao estragar o divertimento de quem le, so adianto que a historia eh bem contada, com boas interpretacoes, gosto da trilha sonora. Eh um filme que se pode ver com a familia e eh um divertimento assistir Robin Willians sendo engracado e dramatico ao mesmo tempo.
Eh certo que nao se pode esperar muito em termos de cinematografia porque eh o primeira experiencia de Duchovny como diretor fora das telas da tv (ele dirigiu alguns episodios do Arquivo). So que como eu disse, a historia eh boa. O tema deste filme eh a amizade do personagem principal com o seu melhor amigo mentalmente infantil e as consequencias que acarretam por causa desta amizade. No decorrer da historia, o menino tambem desenvolve uma relacao de amizade com uma das detentas da Casa de detencao que da nome ao filme que eh de grande ajuda para ele nas horas de decisao.
Outras questoes serias tambem sao abordadas, mas nao sao discutidas a fundo, como a eutanasia.
'The reader', ja eh um filme mais adulto. No sentido duplo mesmo. Ha a questao do relacionamento entre uma mulher adulta e um adolescente, e a questao das cenas de nudez.
Vale a pena ver pela atuacao dos atores e pelo drama que se cria quando esse relacionamento obviamente impossivel nao da certo, nao so porque torna os personagens infelizes, mas porque acaba fazendo com que a vida de uma das personagens tome um rumo completamente imprevisto e insano. Isso tudo faz discutir ate que ponto existe uma moral por detras do atos de uma pessoa ou apenas orgulho. Faz pensar em outras questoes tambem, se existe uma moral mesmo, ou se eh algo imposto pela sociedade ou pelas proprias pessoas. Se nao seria a natureza humana destruidora. Por ignorancia e por medo de nao serem aceitas.
Melhor vc assistir e tirar sua propria conclusao.
Eu assisti e me fez pensar em tudo isso, sinal que valeu pra alguma coisa, que nao so chorar, rs.
Thursday, June 4, 2009
Meu e-book favorito
Eh otimo ler, mas o preco dos livros e o pouco tempo disponivel das pessoas forca muitos a aderir aos e-books. Quando morava em Sampa frequentava os sebos que se achava de esquina em esquina na liberdade. Ou ia nas bibliotecas publicas e passava as tardes la. Agora, como nao tenho esse recurso, aderi `a net que possui uma boa biblioteca online. Eu por exemplo, gosto de literatura estrangeira. Entao muitas vezes quando nao encontro os titulos em portugues, leio em ingles mesmo. Se bem que leva mais tempo pra terminar o livro dependendo da linguagem do escritor. Ultimamente li um dos meus preferidos, 'Wuthering Heights', ou "O morro dos ventos uivantes" em portugues, da Emily Bronte. Pelo que vi na net, esse romance eh um dos mais lidos pelos ingleses numa pesquisa de e-books mais baixados por eles em alguns sites. Eh um bom drama de epoca no estilo bem ingles, mas do genero psicologico, a historia de amor dois personagens atormentados por seus erros e por seus orgulhos.
O livro conta a saga da familia Earnshaw, e a do menino orfao que eh introduzido bruscamente pelo pai entre eles num belo dia. A filha Cathy e o menino ficam logo amigos. O menino misterioso que nao tem sua origem revelada eh chamado de Heathcliff pelo pai. So que o irmao mais velho de Cathy, Hindley, que despreza o irmao adotado, passa a maltrata-lo depois da morte do pai quando se torna senhor das terras, forcando Heathcliff a trabalhar como servical na estribaria. Mesmo depois de crescidos, Cathy e Heathcliff vivem sempre juntos alegres e sujos longe das vistas de Hindley. Mas, Cathy quando atinge a idade de se casar, escolhe o filho rico da familia Linton por sua posicao social, porque ela 'degradaria sua imagem casando-se com Heathcliff' (lembre-se que naquela epoca, os casamentos eram feitos entre familias conhecidas e abastadas). Ao escutar isso, Heathcliff foge sem ouvir a parte que Cathy diz `a governanta Ellen que em seu coracao ela era como Heathcliff e estava se casando com Linton por conveniencia. Mas Heathcliff desaparece e so reaparece depois de anos, rico, bem apessoado e doido por vinganca contra todos, incluindo Cathy!
Gosto tanto da tragedia desta historia que assisti tres dos muitos filmes que fizeram sobre o livro. Nenhum deles consegue ser inteiramente fiel ao livro claro, porque a historia para ser toda filmada precisaria ter 4 horas ou mais se fosse mostrar todos os detalhes e acompanhar as duas geracoes da familia que vivia no morro dos ventos uivantes.
Talvez a versao mais famosa seja a de 1939, a que ganhou Oscar de melhor filme. Nesta versao preta e branca, Heathcliff eh eficientemente interpretado por Laurence Olivier. Mas o Heathcliff dele nao eh totalmente amargo como o Heathcliff do livro, que eh mais duro e vingativo. E o final foi encurtado talvez para os padroes de duracao de um filme da epoca. E tbm porque o livro fala muito de assuntos como fantasmas e coisas sobrenaturais (Heathcliff eh constantemente referido como o 'demonio', por sua falta de humanidade no livro) e isso nao aparece nesta versao de filme, terminando sem mostrar a saga da filha de Catherine e todo o resto da historia a partir disto. Vale a pena ver pela atriz que faz a Catherine tambem que eh bem fiel `a personagem do livro.

A versao de 1992 embora tambem nao seja fiel ao livro eh a minha favorita, nao pelo filme em si que nao supera a versao de 39 em termos de producao, mas pelo Heathcliff do Ralph Fiennes eh o que ficou mais proximo do carater do Heathcliff da literatura, apesar de que fisicamente o Heathcliff tem pele morena no livro e Fiennes nao.
Dizem que o diretor Steven Spielberg contratou Ralph Fiennes para sua Lista de Schindler (outro filme que gosto) por ter visto o ator no papel de Heathcliff neste filme. Catherine eh interpretada por Juliette Binoche que apesar de ser uma boa triz nao ficou tao marcante no papel.
Outra versao mais recente foi feita em 1998, mas essa eh meramente uma filmagem literal episodio por episodio dos capitulos do livro, sem nada acrescentar `as versoes anteriores. Sem interpretacoes que eu diria marcantes. Com excecao da atriz que faz a governanta Ellen que aparece com mais frequencia conforme esta no livro.
O livro conta a saga da familia Earnshaw, e a do menino orfao que eh introduzido bruscamente pelo pai entre eles num belo dia. A filha Cathy e o menino ficam logo amigos. O menino misterioso que nao tem sua origem revelada eh chamado de Heathcliff pelo pai. So que o irmao mais velho de Cathy, Hindley, que despreza o irmao adotado, passa a maltrata-lo depois da morte do pai quando se torna senhor das terras, forcando Heathcliff a trabalhar como servical na estribaria. Mesmo depois de crescidos, Cathy e Heathcliff vivem sempre juntos alegres e sujos longe das vistas de Hindley. Mas, Cathy quando atinge a idade de se casar, escolhe o filho rico da familia Linton por sua posicao social, porque ela 'degradaria sua imagem casando-se com Heathcliff' (lembre-se que naquela epoca, os casamentos eram feitos entre familias conhecidas e abastadas). Ao escutar isso, Heathcliff foge sem ouvir a parte que Cathy diz `a governanta Ellen que em seu coracao ela era como Heathcliff e estava se casando com Linton por conveniencia. Mas Heathcliff desaparece e so reaparece depois de anos, rico, bem apessoado e doido por vinganca contra todos, incluindo Cathy!
Gosto tanto da tragedia desta historia que assisti tres dos muitos filmes que fizeram sobre o livro. Nenhum deles consegue ser inteiramente fiel ao livro claro, porque a historia para ser toda filmada precisaria ter 4 horas ou mais se fosse mostrar todos os detalhes e acompanhar as duas geracoes da familia que vivia no morro dos ventos uivantes.
Talvez a versao mais famosa seja a de 1939, a que ganhou Oscar de melhor filme. Nesta versao preta e branca, Heathcliff eh eficientemente interpretado por Laurence Olivier. Mas o Heathcliff dele nao eh totalmente amargo como o Heathcliff do livro, que eh mais duro e vingativo. E o final foi encurtado talvez para os padroes de duracao de um filme da epoca. E tbm porque o livro fala muito de assuntos como fantasmas e coisas sobrenaturais (Heathcliff eh constantemente referido como o 'demonio', por sua falta de humanidade no livro) e isso nao aparece nesta versao de filme, terminando sem mostrar a saga da filha de Catherine e todo o resto da historia a partir disto. Vale a pena ver pela atriz que faz a Catherine tambem que eh bem fiel `a personagem do livro.
A versao de 1992 embora tambem nao seja fiel ao livro eh a minha favorita, nao pelo filme em si que nao supera a versao de 39 em termos de producao, mas pelo Heathcliff do Ralph Fiennes eh o que ficou mais proximo do carater do Heathcliff da literatura, apesar de que fisicamente o Heathcliff tem pele morena no livro e Fiennes nao.
Dizem que o diretor Steven Spielberg contratou Ralph Fiennes para sua Lista de Schindler (outro filme que gosto) por ter visto o ator no papel de Heathcliff neste filme. Catherine eh interpretada por Juliette Binoche que apesar de ser uma boa triz nao ficou tao marcante no papel.
Outra versao mais recente foi feita em 1998, mas essa eh meramente uma filmagem literal episodio por episodio dos capitulos do livro, sem nada acrescentar `as versoes anteriores. Sem interpretacoes que eu diria marcantes. Com excecao da atriz que faz a governanta Ellen que aparece com mais frequencia conforme esta no livro.
Saturday, April 25, 2009
Australia

Pra variar vou comentar um filme que vi ontem que estava querendo ver faz tempo: Australia. O filme eh mais produzido e mais longo do que eu imaginava... No comeco nao sabia qual era a historia, e no geral ate que foi um bom divertimento. Mas posso dizer com certeza que nao eh o melhor filme que eu ja vi. Recomendo para quem se interessa em questoes humanistas e esta procurando um filme facil de assistir. E gosta de romances `a moda antiga.
A fotografia eh o ponto mais forte acho, porque o cenario de fundo todo eh a regiao desertica da Australia. As montanhas por si so ja valem a pena. E a principal cena de acao se passa justamente nessa parte Oeste do deserto da Australia. Alem disso, o aspecto da vida rude na regiao e a integracao dos aborigenes com a natureza fica bastante evidente.
Mas, apesar dos temas nacionais serem abordados com poesia, a historia dos personagens principais em si nao eh muito interessante na maneira como se desenrola sendo insistentemente previsivel de cena pra cena. Lembra muito os romances antigos, mais ainda quando centra os acontecimentos em meio `a guerra mundial. Os bandidos da historia alias sao os japoneses, rs.
A unica parte engracada eh o inicio, quando a madame inglesa chega na terra dos machoes, com poeira e cangurus pra todo lado, tendo que lidar com aborigenes, peoes e bois do marido numa cidade pequena e machista.
Tirando o tema de disputa de terra e disputa por mercado entre dois criadores de gado na regiao arida, o assunto que predomina eh a cultura aborigene, focando na questao que aconteceu de verdade no passado do pais, quando os brancos usavam os aborigenes como servicais, e o governo retirava as criancas de seus familiares nativos com a desculpa de que estava protegendo-as nas missoes (quando o racismo era uma das principais razoes) e nao se admitia miscegenacao. Essas criancas foram chamadas 'geracoes roubadas'. Eram assim consideradas por terem sido removidas da cultura aborigene para viver na maioria das vezes marginalizadas pelos brancos na sociedade sem completamente se adequarem.
Muitos que viram e me indicaram esse filme gostaram muito. Eu gostei por mostrar o lado indigena com respeito e so. Isso se deve pelo diretor Baz Luhrman ser australiano. Este diretor que dirigiu tambem Moulin Rouge e Romeu e Julieta, no entanto, eh famoso por possuir um estilo glamoroso e fazer mais musicais. E essas influencias aparecem inevitavelmente em Australia quando a personagem de Nicole Kidman canta a cancao tema do Magico de Oz para o pequeno nativo orfao.
O filme de Luhrman pretende o tempo todo ser um epico, e inicialmente tem o atrativo dos atores principais Nicole Kidman (uma das estrelas mais bem pagas atualmente) e Hugh Jackman (que ficou no lugar do Russel Crowe e foi eleito o homem mais sexy de 2008 pela revista 'People') tambem pelo tema dos aborigenes, pela fotografia, mas tem cliches demais para os termos de hoje. Se vc ja assistiu classicos antigos como "E o vento levou...", nao vai sentir que Australia ultrapassou ou chegou ao nivel de um desses classicos.
Para comecar, a mocinha da historia eh uma aristocrata inglesa fina que acaba tendo que viver no meio de australianos rudes e obviamente eh cheia de 'nao me toques'; O marido da madame morre, e o tocador de gado esta logo ali ao lado pra ajudar a madame; os dois se apaixonam; o beijo acontece depois de uma bebedeira; a crianca aborigene fica orfa, e a madame esta logo ali para virar mae adotiva; os viloes sao sempre viloes e culpados por todos os mal feitos da historia; o casal principal quer ficar junto mas sao separados pela guerra; as criancas se metem em encrenca ou estao sempre em apuros precisando que os mocinhos os salve no exato momento oportuno; todos que pareciam estar mortos depois de serem bombardeados por avioes japoneses, estao na verdade vivos; e o final eh feliz para todos, exceto para os indigenas, bebados, pobres e para os viloes... Enfim, eu sou daquelas que pensa que um bom filme tambem precisa ser feito de umas boas surpresas de vez em quando.
E concordo plenamente com uma opiniao que ouvi: Mesmo sendo um filme epico super produzido, perdeu a inspiracao no meio do caminho.
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